Por vezes as partes concorrem evidentemente para um todo maior do que a soma delas próprias e que lhes assegura o sentido. Outras vezes o todo, a existir, é de tal forma complexo e/ou abrangente que qualquer análise parcial se perderá certamente por incapacidade de julgar um só porquê ou para quê...Os níveis de complexidade nas relações das partes entre si e com o todo que as congrega podem ir bem para além do que a humana compreensão pode abarcar... assim, chegam ao vocabulário realidades distintas sob o mesmo conceito: Caos. Aqui se compreende todo o incompreensível seja por falta de ordem, seja por falta de capacidade de compreensão.
Um caos pode afinal ser uma ordem de nível superior. Há pois que humildemente reconhecer que pode o Homem ser a medida de quase todas as coisas, mas apenas e tão-só das que se lhe subordinam...
Creio, pois não me permito outra aproximação, que haverá sistemas de sentido onde não haja lugar a insignificâncias ou insignificados, acasos ou coincidências. Onde nada há de desordenado, ou fora da ordem.
Somos, e vivemos, um pedaço de algo maior do que aquilo que mentalmente conseguimos conceber. Há, contudo, uma tendência do nosso espírito para, diminuindo-se, se ultrapassar.
Afinal, talvez um recolher à mais íntima das imanências seja o caminho para a mais transcendente das existências... da mais ínfima das partículas ao significado último da existência.
... eu, pessoalmente, chamo-lhe Deus e aceito-O com o coração na medida em que vou conseguindo...
mas há quem lhe dê muitíssimos nomes... chegando até a pensarem que lhe negam a existência... chamando-lhe Caos!!



