Saturday, June 05, 2010

Pe. João

foto de Enric Vives-Rubio

"Não tenha medo de ser feliz!"

Pe. João






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Thursday, June 03, 2010

Padre João


O Padre João Resina, a pessoa que mais admiro no Mundo, morreu hoje.

João Manuel Resina Rodrigues nasceu no dia 5 de Outubro de 1930 em Oeiras.

Não me recordo de quando o conheci, lembro-me de sempre ter uma postura diferente. Tinha eu pouco mais de 10 anos quando numa noite de Agosto me explicou as estrelas com uma simplicidade e sabedoria que ainda hoje sei algumas das coisas que me ensinou nessa lição.

As suas palavras e actos sempre causaram uma concreta impressão em mim. Tenho ideia de, desde muito cedo, tomar a decisão de o tomar como modelo a admirar e seguir... na medida do possível. Hoje, mais do que nunca, lamento não ter conseguido ser mais perseverante nesse propósito... sobra-me o tempo que me resta para honrar este compromisso de mim para mim.

O que sempre deste Homem digo é que se trata de alguém que conseguiu algo de absolutamente único. Físico, Filósofo e Padre... sem qualquer ordem, porque o que, de facto, foi o seu trabalho foi o aprender, pensar e ensinar Sabedoria... na linguagem simples de quem sabe e quer dar a saber.

De tudo quanto tive a honra de aprender com o Pe. João Resina algo me marcou especialmente mais pela simplicidade do que, infelizmente, pela eficácia: pedi-lhe um dia que me ensinasse a ser humilde como ele. A resposta foi: “Sabe, a Humildade não é uma qualidade é a Verdade.”

Aprendi muito com o que vi e ouvi... mas tenho ideia de que, com verdade, muitos são os que, muito mais do que eu, com ele aprenderam... nunca assisti a uma sua aula de Física, nem de Filosofia... sei que ajudou muitas pessoas, muitas mesmo, até onde as suas forças o tornaram possível e nos lugares e tempos em que Deus dele precisou para realizar a Sua obra. Sinto que estarei a anos-luz (!) de ter ideia da grandeza deste Homem que, estou certo, sempre se esforçou por fazer da sua vida uma Obra, e assim, um Caminho a seguir...

Inteligência raríssima, determinação paciente e infatigável, deu a sua vida para que outros cumprissem aquilo que considerava um dos primeiros Mandamentos: Ser Feliz!

O Padre João deu-me a Honra de ser meu amigo, de se preocupar de forma tão subtil comigo que nunca, com toda a certeza, encontrarei ninguém semelhante, nem, por mais que tente – e tento, conseguirei replicar em outrem esta forma de ser.

Uma vez desafiei uma professora de Português a dar-me a conhecer o mais forte de todos os adjectivos da Língua Portuguesa... demorou, pediu para me dar resposta na aula seguinte... até que com um sorriso me disse: “Inadjectivável” era a palavra que procura.

O Padre João Resina é inadjectivável.

Gostava de ser capaz de escrever um texto à sua altura, mas pelo menos fica uma palavra.

...

Acredito na ressurreição e em que lhe vou dar um grande abraço!!!

Até lá espero viver o que me ensinou.

Monday, May 24, 2010

Dias Tristes são lugares Sagrados


Existem muitos lugares sagrados. Uns mais acessíveis do que outros. Vivê-los é estar neles de alma e coração. Lugares onde não é necessariamente verdade que haja um momento de uma qualquer espécie de iluminação, muitas vezes o momento é de tristeza, uma queda na realidade, um serviço que o lugar nos presta por nos colocar exactamente no nosso lugar, sem mentiras, máscaras nem demais artifícios da arte da fuga que cada vez é mais cultivada.

Ir hoje a uma igreja é sinónimo de lá encontramos quem somos, ao mesmo tempo que estar diante de Alguém que nos conhece bem... Aquele que conhece todos os nossos caminhos...
Muitas são as vezes que prefiro não ir lá. Como se a vida não vivida, a mentira em que me enrolo, fosse mais valiosa que a verdadeira realidade... que pena não ter a força de quem sabe não se deixar enganar a si mesmo.

Um lugar sagrado é antes de tudo um sítio em que assumimos quem somos, no conjunto de todas as dimensões que a compõem. Em dias como os de hoje, sinto que Deus – qualquer que seja a forma como O concebamos, nos solicita a presença mais por nós, por aquilo que conseguiremos ganhar, do que por Ele.

Uma última palavra para a tristeza, que tantas vezes exalto: é um estado de alma mais denso e puro do que suspeitamos. É mais real. Fugir dele será fugir do duro caminho que nos fará caminhar felizes.

Thursday, May 20, 2010

Em nome de um grande amigo



Tenho já muitos anos. Não te iludas: não estou ainda bastante fraco para ceder às imaginações do medo, quase tão absurdas como as da esperança e seguramente muito mais penosas.

Se fosse preciso enganar-me a mim mesmo, preferia que fosse no sentido da confiança; não perderia mais com isso e sofreria menos.

Este fim tão próximo não é necessariamente imediato; ainda aceito cada noite com a esperança de chegar à manhã seguinte.

Adentro dos limites intransponíveis de que te falei há pouco, posso defender a minha posição passo a passo e recuperar mesmo alguns milímetros do terreno perdido.

Não deixo por isso de ter chegado à idade em que a vida se torna, para cada homem, uma derrota aceite. Dizer que os meus dias estão contados não significa nada; sempre assim foi; é assim para todos nós.

Mas a incerteza do lugar, do tempo e do modo, que nos impede de distinguir bem o fim para o qual avançamos sem cessar, diminui para mim à medida que a minha doença mortal progride.

Qualquer pessoa pode morrer de um momento para o outro, mas o doente sabe que passados dez anos já não será vivo.

Penso que enquanto se está vivo há um propósito, o meu, agora, julgo ser o de mostrar a todos que se pode ser alguém mesmo depois da doença chegar para não mais partir... o de vos mostrar que os velhos e os doentes não são trapos. E quando chegar a vossa vez, não vos deixes substituir... Sede o que são até ao fim. Não há dignidade no acto de desistir.

No fundo do meu e do teu coração reside um pedaço de Deus que nos garante que ainda nos encontraremos numa outra vida: aquela que vale a pena, a que vale tudo - é Eterna... e lá nos encontraremos.


Padre João: Força bom mestre!

Tuesday, May 11, 2010

Onde mais sou



Surge-me por vezes a necessidade de fazer uma viagem um pouco mais longa, uma peregrinação pelo interior do meu eu. Começo por progressivamente me ir largando de amarras aos pormenores quotidianos... quase sempre de súbito, sinto-me mergulhar numa espécie de poço do que sou. Sem vertigem mas a uma velocidade limite, são apenas uns segundos até que... até que atinja o fundo. O fundo de mim. O fundo do tal poço que afinal, descubro logo de seguida, é o topo de uma torre que se ergue numa planície imensa. Não é um deserto, mas também não é uma cidade... A torre altíssima permite-me sentir a minha cara ser tocada pelos 4 ventos... o Sol está-me mais próximo e consigo escutar o seu labor de luz... Estou completamente só, sem saída, nem ideia de como ali cheguei, mas... não sinto qualquer temor... há ali a paz pela qual todos rezamos. É precisamente ali que se sente o que nos faz transbordar de alegria, o que em nós nasce para nos preencher, o que torna real o sonho de completude...

Depois como que começo a escutar uma tempestade ao longe, sempre primeiro os relâmpagos e depois, a princípio muito depois, os trovões. A sua força faz adivinhar a sua missão... devolver-me ao mundo do dia-a-dia... assim, e sem sobressalto apesar da forte tempestade que se aproxima, despeço-me com olhar generoso de todos aqueles meus horizontes... sinto-me elevar da torre – de súbito tenho os pés no fundo de um poço que me é tão familiar... sem grande esforço dou-me um impulso que me faz voar até à superfície de onde havia partido há poucos minutos.

São sempre longas estas minhas incursões... não no tempo nem no espaço – duram poucos minutos e, de facto, nem chego a mexer-me... mas consigo chegar lá onde sou mais eu mesmo... onde sou o que sou. Sem máscaras, sem medos e sem pressas...

Saturday, April 17, 2010

Do eu


Nos tempos “livres” leio Filosofia, leio filosofias, faço-o com gosto. Textos de referência que ainda não tinha lido e novas obras... tento acrescentar algo ao que sei, ora com textos antigos ora mais moda-rnos...

A Filosofia é um caminho em espiral em busca dos contornos. Aproximação sucessiva, prudente e sólida que visa uma melhoria constante da capacidade de ser. Até ao ser autêntico. Ao Ser.

Está a Filosofia cada vez mais analítica. Hoje há uma grande corrente de gente que segue as linhas de Wittgenstein e B. Russel... onde perseguem um ideal de objectividade para a Filosofia ao nível das Engenharias.

Prefiro textos que me falem dos problemas que me tocam. Afinal, a diferença da Filosofia em relação aos outros saberes é a sua capacidade de falar ao e do eu (sim, por vezes dói). Efectivamente, alguém mo disse, a Filosofia ajudar-te-á na tua vida concreta. A tua vida será melhor – prometeu-me.

A Filosofia será pois a raiz e o fruto de todos os saberes, desde os dos zeros e uns aos dos espíritos religiosos. É o lugar onde se devem procurar causas primeiras e efeitos últimos. Não se deve ocupar do que é, mas sim do que deve ser. Um misto de sonho sério e arquitectura íntima.

Mas há já muito poucos que estão à altura da herança filosófica milenar. Podem dividir-se os seus trabalhos entre manuais de linguagem de vanguardista programação informática aplicada ao pensamento e alguns, muito menos – mas igualmente perigosíssimos, livros de, assim se convencionou chamar-lhes (até me custa a escrever:) “auto-ajuda”. Confesso que experimentei ler um e me bastou. Festival de banalidades, como se se pegasse numa herdada peça de ouro e a derretessem para colorar milhares de peças de pechisbeque.

Sempre preferi linhas de pensamento mais verdadeiro por mais íntimo e subjectivo, numa ideia simples: no fundo, somos todos iguais – a mais profunda subjectividade é um caminho objectivo para A Verdade.

Tenho preferido escritores, criadores que contam as suas histórias, que serão sempre e só auto-biográficas... porque me parece que escrever é descrever-se... e por aí se caminha para mais perto do essencial... e ao abrigo de escorregadelas para os escaparates dos hipermercados.

De vez em quando gosto de me (d)escrever.

Sunday, January 10, 2010

João Manuel


João Manuel, o homem que fez chover.

Ele sonhou, acordou e decidiu-se.

Lançado por si mesmo para o aquele empreendimento, dispôs-se a tudo.

Com a luz do sol ou da vela trabalhava montando as peças que tinha percorrido longos caminhos para encontrar. Montava aquela enorme e confusa máquina... - sem um esboço de papel.

Tinha-a completado!

Colocou-a em cima de uma carroça que dois fortes cavalos puxaram até ao cimo do monte.

No cume verificou que o sol já estava a desaparecer e que era imperioso esperar pela manhã... - o sol era fulcral.

Já noite e sem porquê trouxe cavalos e carroça para o vale de sua casa, depois despiu-se, e nu... subiu o monte até junto da sua máquina.

Esperava pelo sol, com um sorriso nos lábios, quando lhe veio à ideia que a máquina não tinha qualquer interruptor... não tinha feito nenhum mecanismo que pudesse controlar a máquina e nem sequer se tinha lembrado de como poderia ligá-la... desesperou!

Lembrou-se de que no seu sonho também não havia qualquer botão... sorriu!

Com o sol veio a chuva e o João Manuel morreu feliz... agarrado à máquina.

Nunca ninguém mais viu o João Manuel ou a máquina.

Ele levou-a consigo.

Sunday, November 15, 2009

Tenho andado nos últimos tempos mais longe deste meu blog.

Tenho consciência de que não publicar assiduamente (qualquer que seja a periodicidade) é meio caminho para deixar de ter leitores...

Desculpar-me-ão os que nunca se esquecem de ir passando...

Ora aqui vai:

Há pouco mais de um mês conheci e estabeleci amizade com um grande amigo daquele que foi o meu melhor amigo e que morreu há já vários anos...

Há menos de 3 semanas dei-me conta de uma 4 ou 5 factos que vieram esclarecer cabalmente dois ou três problemas que tinha por resolver há alguns anos!

Também recentemente, e por sugestão de um bom amigo, descobri que uma prancha de surf e eu nos poderíamos dar melhor do que alguma vez julguei ser possível; que o mar não estival é ainda mais acolhedor; que despertar com o corpo dorido durante dias seguidos pode ser uma sensação fantástica...

Num dia da semana passada, ao final da tarde e do dia de trabalho... naquilo que começou por ser uma simples conversa informal entre colegas acabei por me dar conta que estava a chorar de tanto rir, o que, felizmente durou bem mais do que 3 ou 4 minutos...

Penso que estou a começar a aprender a viver de uma forma diferente.

Friday, September 04, 2009

Presentida Tempestade


Poucas vezes na minha vida senti, como agora, com um tão elevado grau de certeza, que se adivinham tempos de mudança.

Sinto a vertigem da necessidade de deixar o presente e me largar num futuro incerto. Desagrada-me desconhecer se o para onde estou lançado é tempo de paz ou de tormenta.

Por um traço do que sou, num pessimismo prudente, julgo o que vem como sendo momento de crise... e preparo-me, demoradamente, para uma tragédia que parece consentir pressagiar-se.

Devo o que sou mais às desventuras que aos dias de Sol que vivi. Mas, estou longe de me sentir confortável com esta desditosa intuição de um difícil amanhã que sempre ganha ainda mais força por cada crepúsculo de dia que passa.

Nestas províncias do aquém-dor há já notícia de pequenas batalhas de uma guerra que, se, de facto, ainda não começou, já deixa as suas marcas...


(Obrigado ao Paulo por me puxar para a escrita... Cf. comentário ao post anterior)

Sunday, April 26, 2009

Nun'Álvares Pereira

Eis o famoso Nuno, o Condestável, fundador da Casa de Bragança, excelente general, santo monge, que durante a sua vida na terra tão ardentemente desejou o Reino dos Céus depois da morte, e mereceu a eterna companhia dos Santos. As suas honras terrenas foram incontáveis, mas voltou-lhes as costas. Foi um grande Príncipe, mas fez-se humilde monge.

“Não tenhais medo por serem muitos, nem pelas ameaças que fazem com os seus gestos e alaridos, pois tudo não passa de um pouco de vento, que dentro em breves momentos terminará. Deveis ser fortes e esforçados, recebendo a grande ajuda de Deus, por cujo serviço ali estavam, defendendo a justa causa do Reino de Portugal”

- in Crónicas de Fernão Lopes




Que auréola te cerca?
É a espada que, volteando,
faz que o ar alto perca
seu azul negro e brando.

Mas que espada é que, erguida,
faz esse halo no céu?
É Excalibur, a ungida,
que o Rei Artur te deu.

'Sperança consumada,
S. Portugal em ser,
ergue a luz da tua espada
para a estrada se ver!

Fernando Pessoa - Mensagem

Tuesday, January 06, 2009

A Foto Fantástica


Recebi, do meu amigo Jacintho, esta foto inserida numa apresentação de várias fotografias com pequenas/grandes curiosidades...

Gosto de fotografia... aliás, por dom certamente divino sou amigo de um dos melhores fotógrafos de Portugal, o Benjamim...

A foto aqui publicada é diferente, aliás leva o termo diferença a um expoente que nunca antes havia alcançado... esta foto é, num superlativo hebraico aplicado com rigor: a mãe de todas as fotos (de família...).

Reenviei a apresentação aos meus amigos, e a todos pedi que me ajudassem a compreender todo o potencial interpretativo desta tão singular imagem...

O meu bom amigo FCS, solicito e de rara inteligência logo me ofereceu o seguinte comentário:
"É tão óbvio que nem parece teu.
A família Adams num estágio de coveiros na Moldávia num momento de descontracção do trabalho de enterrar os defuntos do dia anterior."

Mas nem toda a generosidade do mundo seria capaz de me oferecer numa frase só tudo o que nesta imagem há de... belo, pois que seja... belo, pois que atrai o olhar... belo, porque desperta o prazer a quem a olha... belo, porque absolutamente fantástica...

Queria partilhar com todas esta imensa emoção de descobrir mais um pormenor a cada vez que a revejo... mas são tantos... prefiro lançar o desafio a cada um dos que passam por aqui... que a contemplem (clicando nela podem vê-la ainda maior!!!!) e que deixem aqui a todos os demais o seu comentário...

Quem já conhecia esta foto?

Quem a admira?

O que nela se pode ver de especial?

Friday, December 26, 2008

É tempo do Cirque du Soleil!!!!



No 20º aniversário uma actuação fantástica...





Hula Hoops - ALEGRIA



A Roda da Morte - KA



Malabaristas - CORTEO



Barras Russas - ALEGRIA



Palhaço e Cordas - QUIDAM




Trapézio - ALEGRIA




A Escada - CORTEO


Monday, December 01, 2008

Os Pensamentos dos Postais

Deambulava pela net e encontrei este concurso magnífico do Pedro Aniceto para
"O Pior Postal do Verão"
Vale a pena ir lá para ver o riquíssimo espólio..

Lá estavam as seguintes MAS inadjectiváveis composições, que me permito comentar...

têm em comum o facto de serem fruto de sistemas de pensamento que hoje são quase irreconhecíveis...

I)
É a modéstia, ou prudência que choca... mas que, curiosamente, parece bem mais adequado do que qualquer certeza ao pior estilo de um "será eterno e invencível"...

II)Este confesso que, possivelmente por falta de inteligência (minha), não consigo discernir o que estará na raiz do pensamento apresentado... são apenas e só teorias que se me afiguram: a) contra a violência doméstica (?); b) Quem decide passar frio pode esperar por flores e frutos (?); c) Apologia da Fecundidade através da Virgindade (?)...

III)
Esqueça-se a possível ilustração da frase pela imagem... esqueça-se a possibilidade de se sofrer a horas nocturnas, aqui, segundo julgo, há um desejo de sofrimento, uma espécie de antípodas de uns quaiquer votos de boas festas, com a ressalva de que o Sol brilhará sempre... seja, que soframos mas que saibamos que o Sol brilha SEMPRE por cima de qualquer dor...


IV)

Ora, se o postal I pontuava pela prudência, este deixará qualquer Schopenhauer de vão de escada a cantar as janeiras (vêem como já consigo entrar no espírito!!)... Aqui, apela-se à união incondicional sob pena de qualquer falha ter resultado fatal... Não! Será a própria união (suponho que de 2 pessoas) que se pode perder irreversívelmente se abandonar o seu caminho... Calculo que haja aqui o mesmo puritanismo que aconselha a não perder a cabeça sob pena de jamais voltar a ser digno do abrigo do amor (e não é que lhe estou mesmo a apanhar o jeito!!)... Credo, mas tamanho fatalismo só pode ser oriundo de uma mente tão desejosa da desgraça como de lágrimas no rosto amado (e não é que já me começam a sair de forma involuntária!!). Uma última consideração sobre este postal: não há mapa nem GPS que nos safe... nada. Se nos perdermos, perdemo-nos...

Friday, November 07, 2008

Deus e o Homem no Poço

Um homem tropeça num poço fundo e cai trinta metros antes de conseguir agarrar-se a uma fina raiz, que lhe trava a queda. O homem vai perdendo as forças e, desesperadamente, grita:
- Está alguém aí em cima?
Levanta a cabeça e só consegue ver um círculo de céu. De súbito, as nuvens separam-se e um raio de luz forte brilha sobre ele. Uma voz forte diz:
- Eu, O Senhor, estou aqui. Solta a raiz e eu salvar-te-ei!
O homem pensa durante um momento e depois grita:
- mais alguém aí em cima?

Sunday, October 26, 2008

A Existência de Deus


Não será uma tarefa extravagante pretender extrair dos actos de D. Afonso Henriques a prova da sua existência? Porque, se é verdade que a sua existência explica os seus actos, os seus actos não podem provar a sua existência! Além disso, na medida em que D. Afonso Henriques não é senão um indivíduo, não existe entre ele e os seus actos uma relação absoluta tal que nenhum outro indivíduo seria capaz das mesmas acções: é talvez a razão que impede de extrapolar dos actos à existência. De facto, se digo que os actos são de D. Afonso Henriques, então a prova é supérflua; mas se ignoro o nome do seu autor, como provar pelos próprios actos que eles são efectivamente de D. Afonso Henriques? Não posso ultrapassar a afirmação, inteiramente abstracta, de que procedem de um grande Rei...

Pelo contrário, entre Deus e os seus actos existe uma relação absoluta, porque Deus não é um nome, mas uma identidade pura, e é talvez por isso que a sua essentia involvit existentiam. Assim, os actos de Deus só Deus pode praticá-los; muito bem; mas quais são então os actos de Deus? De actos imediatos, a partir dos quais possa provar a sua existência, não vejo o mais pequeno vestígio, a menos que admita que a acção da Sua sabedoria da natureza, da Sua bondade ou da sua Sabedoria na Providência entre pelos olhos dentro. Mas, com isto, não abro eu a porta, pelo contrário, a tentações terríveis, tentações tais que não é possível superá-las a todas? Não, de tal ordem de pensamentos não consigo tirar verdadeiramente a prova da existência de Deus, e, mesmo que o tentasse, jamais conseguiria levá-lo até ao fim, enquanto me veria forçado a viver sempre em suspenso, com o receio de que me sucedesse de repente alguma coisa tão terrível como a perda das minhas pequenas provas...

Mas será que há quem acredite que a razão da minha existência se deve à existência cruzada de 2 vidas? Concedo que tal não me parecerá demasiado obtuso... mas caminhemos um pouco mais nessa direcção:
Ora, também os meus pais derivam eles do cruzamento de 4 vidas; e esses os – os meus avós – de cruzamentos de 8... eu – 2 – 4 – 8 – 16 – 32 – 64 - ... 50 gerações... 1.125.899.906.842.624 de vidas que tiveram que se cruzar para que eu estivesse aqui hoje?? Não vos parece que é preciso ter uma tremenda fé no acaso, bem maior do que a que tenho em Deus para acreditar que a minha existência a devo a 562.949.953.421.312 actos sexuais por alturas da existência de D. Afonso Henriques? Confesso que me parece de uma perversidade sem precedentes(1)!!!!

Pois bem, afigura-se-me como por demais evidente que, ou acredito cegamente numa potenciação dos cruzamentos de vidas de pessoas concretas... (será em alguma vez terão existido tantas???) ou, humilde e sabiamente, aceito que sou simplesmente a prova mais concreta, clara e indubitável da existência de Deus... EU.

Quererão mais provas, pois bem olhem-se ao espelho... façam contas(2)... e depois perguntem-se de onde terão vindo... de Deus. Somos actos de Deus, que na Sua infinita bondade nos deu Vida. Uma vida bem concreta.



1 - Isto para não termos que multiplicar por nº de espermatozóides de uma ejaculação (entre 250 e 500 milhões)... chego a considerar a hipótese ad absurdum de não haver sequer espaço no nosso planeta para a existência de tal ordem de grandeza...

2 – Não se arvora que a Matemática é uma ciência sumamente objectiva?

Sunday, October 05, 2008

A alma é exterior

A alma, ao contrário do que tu supões, a alma é exterior: envolve e impregna o corpo como um fluido envolve a matéria. Em certos homens a alma chega a ser visível, a atmosfera que os rodeia tomar cor. Há seres cuja alma é uma contínua exalação: arrastam-na como um cometa ao oiro esparralhado da cauda - imensa, dorida, frenética. Há-os cuja alma é de uma sensibilidade extrema: sentem em si todo o universo. Daí também simpatias e antipatias súbitas quando duas almas se tocam, mesmo antes da matéria comunicar. O amor não é senão a impregnação desses fluidos, formando uma só alma, como o ódio é a repulsão dessa névoa sensível. Assim é que o homem faz parte da estrela e a estrela de Deus.

Raul Brandão, "Húmus"

Saturday, September 20, 2008

Um vinil dos Anos 80...


Num qualquer destes dias ouvi no rádio do carro (M80) uma música que me levou até à minha juventude... o curioso é que gostei da canção sem a reconhecer efectivamente, mas havia ali uma sonoridade diferente... era de um grupo Pop português dos anos 80 e o inconfundível e fantástico som de uma verdadeira reprodução em vinil!!!

Doutores & Engenheiros: Estou na Margem
(o Álbum completo AQUI)

Fui em busca de mais... da mesma altura... e no youtube há um pouco de tudo...

António Variações - Canção do Engate
Manuela Moura Guedes - Foram cardos foram prosas (versão mais recente.... só para quem queira comparar)
Táxi – Cairo
Heróis do Mar - Paixão
Lena de Água - Sempre que o amor me quiser
GNR - Portugal na CEE
Sétima Legião - Sete Mares
Radar Khadafi - 40º à sombra
Roquivários – Cristina
Salada de Frutas - Se cá nevasse
UHF - Cavalos de Corrida
Ban- dias atlânticos
Peste & Sida - Paulinha
Peste & Sida - Sol da Caparica
Trabalhadores do Comércio - Taquetinho ou lebas nu fucinho
Carlos Paião – Cinderela
Lara Li – Telepatia
Adelaide Ferreira - Dava tudo
Rádio Macau - Amanha é sempre longe demais

Sunday, August 17, 2008

Os Flmes que vi nas Férias

children of menos falsificadores - the counterfeiters - Die Fälscher
the bank job
michael clayton
In the Valley of Elah
american gangster

the kingdomno country for old men

Estive de férias.

Foram dias e dias de sossego, levei uns filmes para ver à noite... acabei por ver estes 8...

os que mais me surpreenderam... Os Falsificadores, Children of Men e The Bank Job.

ah, e os 3 primeiros minutos do the kingdom são uma lição de história imperdível!

Thursday, July 24, 2008

Good night, my bonnie Heather…


Não quero, com este post, senão partilhar aos ventos o sentimento de sentido que há em mim...

Alguns filmes são verdadeiramente edificantes, constroem-nos o interior, moldando-nos a alma, ou... talvez vejamos neles espelhados o mais íntimo das nossa alma...

Aconteceu-me isso com vários filmes, especialmente com algumas cenas em particular... muito especificamente com a história de amor de um: Highlander – Duelo Imortal.

Curioso o nome, pois parece-me que sou dos poucos que não o vê a partir da mesma lógica, afinal dele me ficou/marcou/mostrou algo de muito meu...

A história é bem fácil de se resumir. Um homem imortal apaixona-se por uma mortal, e apesar do conselho de outro mais experiente, que o desaconselha vivamente (You must leave her, brother!), não vacila e leva o seu amor até ao fim... no caso, vê-a envelhecer para depois sofrer anos infindáveis de saudade. O ambiente das altas montanhas da Escócia, a vida rural de ambos, o afastamento das aldeias de gente e da horrível Kate... compõem um conjunto onde tudo faz sentido, onde cada pequeno pormenor é uma peça fundamental que confere brilho ao todo, realidade ao sonho...

O filme remonta a 1986 e lembro-me de sair do cinema com uma leitura da obra oposta à dos que me acompanhavam... eles com os duelos, eu com o dueto... eles com a acção, eu com a paixão (curiosa palavra que se presta a pólos tão opostos – serão? – como o amor e a dor...)

Talvez por ser adolescente, teria 15-16 anos, talvez por algo que me escapa, ou por alguma razão superior às complexas contingências deste mundo... aquele amor ficou-se-me como paradigma...

E o mundo dá muitas voltas, e o sentido da vida revela-se vezes e vezes sem conta através de pormenores em que nos faz tropeçar... chego a perguntar-me se será mesmo necessária tão pouca subtileza... tanta insistência.

É desconcertante ler a parte já vivida da minha vida, e ver nela que as alegrias e tristezas se podem melhor compreender se confrontadas com uma determinada matriz como que pré-existente... aos desassossegos de seguir caminhos não indicados pela tal referência; a felicidade de tomar por meus destinos os inscritos na tal revelada fonte...

A vida será certamente julgada. Pesarão seguramente as opções tomadas em momentos de ruptura. Haverá evidentemente prémios para quem ousou seguir pelo caminho certo, sem perder tempo em cuidar das feridas infligidas pelo percurso...

Não sei se faço parte desses, conheço apenas e tão-só as dores que sinto ao caminhar. Por vezes, paro, penso e peso tudo... sem sucesso. Mas sigo. Apesar de tudo, creio que os sentidos da vida são de ordem ininteligível... Nessa necessidade de tantas e tantas vezes serem dados saltos de fé, (ver por exemplo: AQUI) há que ser capaz de lutar contra o que em nós visa racionalizar e perspectivar tudo sob um visão mais humana, racional mas que, por redutora e simplista, nunca nada vê onde existe o que de mais importante há na vida.

Não sei de mim, não sei se estarei a caminho, ou sequer se a minha forma de caminhar é a adequada. Sei que confio. Conheço a minha fé. Esforço-me por orientar por ela a minha vida. Falhei já... muitas, tantas... vezes quiçá demais... mas o meu coração ainda sabe onde é a sua casa, e com ternura e de olhos humedecidos, teimo em aceitar os seus desígnios, remetendo para o plano do dispensável as dúvidas que me assaltam oriundas daqueloutra parte do meu ser.

Uma história, simples linhas de ficção bem representadas por um par de actores, a história de Heather MacLeod é única. Acima de qualquer dúvida está a letra da música que lhe serve de suporte. Vale a pena lê-la, interiorizá-la...

There's no time for us
There's no place for us
What is this thing that builds our dreams
Yet slips away from us

Who wants to live forever?
Who wants to live forever.....?

There's no chance for us
It's all decided for us
This world has only one sweet moment
Set aside for us

Who wants to live forever?
Who wants to live forever.....?

Who dares to love forever
When love must die?

But touch my tears with your lips
Touch my world with your fingertips
And we can have forever
And we can love forever
Forever is our today

Who wants to live forever?
Who wants to live forever?

Forever is our today
Who waits forever anyway?








Good night, my bonnie Heather…



we'll awake together!!!




Tuesday, July 15, 2008

Aborto e natalidade

Há já bastante tempo (8 de Fevereiro de 2007) escrevi aqui um post sobre o ABORTO. Quem o queira localizar e reler está à distância de um clique AQUI.

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Comunicado Governo Ofende Mães Portuguesas + Comunicado Família e Procriação

A APFN manifesta o seu protesto por o Governo ter incluído no subsídio de maternidade as mulheres que abortam os seus filhos, o que, para além de demonstrar uma enorme falta de domínio da língua portuguesa, constitui uma ofensa às mães que, com maior ou menor dificuldade, acolhem os seus filhos e de que o país, mergulhado num cada vez mais rigoroso Inverno demográfico, tanto carece.
Como o seu próprio nome indica, o subsídio de maternidade é um apoio às mães!

Em caso de dúvida, para ver o formulário: clique aqui para descarregar o formulário oficial.

O Primeiro-Ministro surpreendeu os portugueses ao declarar, no final do jantar de encerramento da sessão legislativa do grupo parlamentar do Partido Socialista, que é "de um partido onde era impossível um líder dizer que o principal objectivo da família é a procriação".

Apesar de esta afirmação ter sido proferida no final de um jantar com certeza animado e numa altura de evidente desgaste, explica a desastrada política de família que tem caracterizado esta legislatura, fazendo com que todos os indicadores do estado das famílias tenham continuado a deteriorar-se.

A APFN gostaria que o Primeiro-Ministro explicasse melhor aos portugueses o sentido do seu pensamento, isto é:

* Se a procriação não é a principal função da família, então qual é a sua principal função?
* Como é que o Primeiro-Ministro pensa combater o gigantesco défice de natalidade?
* Não sabe o Primeiro-Ministro que todas as civilizações desapareceram quando puseram em causa essa função fundamental e insubstituível das famílias?
* Não sabe o Primeiro-Ministro que os graves problemas sociais do país derivam directamente da crescente degradação das famílias, com reflexo imediato nos jovens e crianças, demonstrando à saciedade que a família é a célula base da sociedade única e exclusivamente por isso?

A APFN espera que o Primeiro-Ministro acerte os seus conceitos sobre esta área fundamental para a sustentabilidade do país, de que tanto carece.