Friday, October 07, 2005

E o AMOR?

Sobre o Amor sempre me ocorre uma ideia que nasceu da contemplação de uma oração que tantas e tantas vezes rezei, ei-la:
Senhor Jesus
Ensinai-me a ser generoso
A servir-Vos como Vós o mereceis

A dar-me sem medida

A lutar sem cuidar das feridas
A trabalhar sem procurar descanso

A gastar-me sem esperar outra recompensa senão saber que faço a Vossa vontade Santa

Ámen


Ora, sempre vi em todas estas linhas uma espécie de concretizações de uma fórmula mais simples:
Ensinai-me a Amar.

E é sempre deste fluxo que emana do mais íntimo em direcção ao outro que se fala… cedo compreendi que o oposto ao amor não é, de forma alguma, o ódio.

É o egoísmo, por ser o movimento contrário – um fluxo de absorção.


Amar é dar, não dar isto ou aquilo – dar o que sou, ser para dar.

Se me dou constituo o outro, da mesma forma que sou um resultado da fusão de muitos amores que me tiveram como alvo/receptáculo.


Não morro tão cedo, porque para morrer por completo teriam de desaparecer todos quantos já amei… afinal não morreram todos quantos me morreram, porque vivem em mim – deram-se-me.


Obrigado a todos quantos sou.

Thursday, October 06, 2005

Uma questão da "Felicidade"

Dizem os budistas que se se trata de concretizar objectivos, então, mais do que a luta empreendida para os alcançar, há que diminuí-los ao ponto mínimo... assim, tudo seria razão de felicidade.

Há, no nosso mundo, um apelo constante e quase tão profundo quanto o nosso ser ao consumir... sementes de desejos daninhos que crescem e se alimentam da nossa pré-fabricada frustração por não os satisfazer... Já escrevia Platão que sendo a nossa alma semelhante ao líquído de um tonel, os desejos seriam furos que auto-infligiríamos a esse recipiente... todo o trabalho para a edificação e crescimento da alma de nada valeria pois, pouco tempo volvido, acabaríamos esvaziados de nós próprios... deixando a nossa alma na mão dos semeadores de sonhos materialistas.

É-me difícil lidar com os meus apetites. São tantas as vezes que "quero" comprar e ter, que pouco me aplico na construção do ser... e tendo consciência de onde está o que intimamente viso, ou não tivesse já cheirado a felicidade, pior me encontro quando sigo por caminhos opostos ao daquele que me levará ao eu feliz... ao daquilo que DEVIA ser.

Farei um esforço por anular, na medida do possível, essas sementes que alguém em mim plantou e que teimo em alimentar.

Não imagino pior que chegar a velho e ver a nossa vida como um enorme falhanço... e gritar como um dos personagens de Raul Brandão:
Estou gasto e velho, porque, sem - ó desgraça - ter vivido, tudo vivi.
(tudo vivi: consumi o tempo todo; sem ter
vivido: sem ter conseguido viver em profundidade, em significado existencial)

Wednesday, October 05, 2005

O Porquê da minha Admiração pelo Cipreste


Há um tempo atrás fui a casa do meu amigo Martinho, bisneto de Raul Lino - Famoso arquitecto de idos tempos, que tinha na sua casa uma marca que muito me despertou a atenção: AZAD escrito em persa. Era A marca do famoso arquitecto... quer dizer Cipreste e foi o Martinho quem me deu mais dados sobre esta ideia, a meu ver, genial.

Perguntaram a um homem sábio: "Cada qual tem a sua missão e o seu tempo próprio, durante o qual é forte e fértil, e na sua ausência fraco e seco; a nenhum destes estados transintórios está o cipreste exposto, florescendo sempre: e desta natureza são os azads. Não fixam o seu coração no que é transitório. (...) Se na tua mão houver abundância, sê generoso como a tamareira; mas se nada tiveres para dar, sê um azad, ou homem livre, tal como o cipreste.

Sa’di de Xiraz
Depois, foi um sem número de reflexões que me apontavam sempre para as peculiaridades dessa árvore que teimamos em considerar de forma básica como: a dos cemitérios.

Tentarei, ao longo daquilo que aqui escreverei, divulgar as qualidades do cipreste.

Óbvio: Obrigado Martinho!