Tuesday, May 11, 2010

Onde mais sou



Surge-me por vezes a necessidade de fazer uma viagem um pouco mais longa, uma peregrinação pelo interior do meu eu. Começo por progressivamente me ir largando de amarras aos pormenores quotidianos... quase sempre de súbito, sinto-me mergulhar numa espécie de poço do que sou. Sem vertigem mas a uma velocidade limite, são apenas uns segundos até que... até que atinja o fundo. O fundo de mim. O fundo do tal poço que afinal, descubro logo de seguida, é o topo de uma torre que se ergue numa planície imensa. Não é um deserto, mas também não é uma cidade... A torre altíssima permite-me sentir a minha cara ser tocada pelos 4 ventos... o Sol está-me mais próximo e consigo escutar o seu labor de luz... Estou completamente só, sem saída, nem ideia de como ali cheguei, mas... não sinto qualquer temor... há ali a paz pela qual todos rezamos. É precisamente ali que se sente o que nos faz transbordar de alegria, o que em nós nasce para nos preencher, o que torna real o sonho de completude...

Depois como que começo a escutar uma tempestade ao longe, sempre primeiro os relâmpagos e depois, a princípio muito depois, os trovões. A sua força faz adivinhar a sua missão... devolver-me ao mundo do dia-a-dia... assim, e sem sobressalto apesar da forte tempestade que se aproxima, despeço-me com olhar generoso de todos aqueles meus horizontes... sinto-me elevar da torre – de súbito tenho os pés no fundo de um poço que me é tão familiar... sem grande esforço dou-me um impulso que me faz voar até à superfície de onde havia partido há poucos minutos.

São sempre longas estas minhas incursões... não no tempo nem no espaço – duram poucos minutos e, de facto, nem chego a mexer-me... mas consigo chegar lá onde sou mais eu mesmo... onde sou o que sou. Sem máscaras, sem medos e sem pressas...

2 comments:

said...

gostei

Domingos Carreiro said...

Miudo, não está mau, mas tu consegues melhor!